1 de jun de 2010

No meio do tempo

 Primeira parte da reportagem Simbioses Artísticas: Cobertura do Festival de Vídeo&Dança


Tal como o seu tímido relógio pendurado na enorme parede branca e sem reboco se encontra o galpão do Núcleo do Dirceu, principal local dos eventos do Mostra Internacional de Vídeo&Dança , que percorreu Teresina entre 27 e 30 de maio. Apesar de algumas exibições terem sido feitas no Shopping Riverside, o lugar onde ocorreu o lançamento do evento e as principais palestras foi próximo a Avenida das Hortas, por trás do Comercial Carvalho do bairro Renascença II.



 "A gente(da área da cultura) costuma dizer que lá em São Paulo, o SESC é o pai e a mãe da gente. Aqui no Piauí, digamos que agora podemos chamá-lo de irmão mais velho!” 
A metáfora do coreógrafo Marcelo Evelin, fundador do Núcleo de Criação do Dirceu, soou em tom de brincadeira durante a abertura do Festival Internacional de Vídeo&Dança na noite do dia 27, no galpão do próprio Núcleo. Mas a brincadeira só teve graça pelo fundo de verdade, apontado na resposta igualmente “esportiva” do assessor de cultura do SESC-PI, Emanuel Andrade: “É, antes vocês eram órfãos, mesmo.”

 Da direita para esquerda: o artista Marcelo Evelin, o acessor de cultura do SESC-PI, Emanuel Andrade e o palestrante Eduardo Bonito

A dificuldade de auto-sustentabilidade é comum em todas as áreas ligadas a arte. Elielson Pacheco, também membro do Núcleo, ressalvou que mesmo o fato do Núcleo ser desde dezembro um Ponto de Cultura e aprovado recentemente no edital de cultura da Petrobás, dificuldades como locar espaço existem desde que deixaram o Teatro João Paulo II: “Não recebemos nenhum repasse financeiro do governo federal até agora. Estamos utilizando o galpão cedido pelo Renato Carvalho, ainda nos organizando para destinar a verba que vier primeiro para reforma.

 
A precariedade em que ainda se encontram pode ser vista na simplicidade da pequena arquibancada de madeira, cadeiras de plástico para os palestrantes e a necessidade dos ventiladores, além do lixo acumulado em frente à velha fachada do galpão. Nem Marcelo nem o convidado da noite, o produtor e diretor do projeto Dança em Foco, Eduardo Bonito, pareceram se incomodar, vestidos de camiseta, bermuda e chinelos para apresentar o Festival de caráter internacional na frente de convidados vestidos à rigor como a bailarina Lúzia Amélia.

Quanto a isso, Evelin convocará daqui a duas semanas um multirão “performático” para pelo menos rebocar e pintar as paredes do lugar. A coreógrafa Luciana Ponso, convidada a ministrar a única oficina do evento, também não se incomodou, ressaltando a honra que era para ela vir a Teresina e conhecer o grupo: “Quando recebi o convite, todos os meus colegas lá no Rio ficaram morrendo de inveja por eu ter a oportunidade de conhecer o Núcleo do Dirceu”


Nas paredes externas fracamente iluminadas do galpão, um informativo sem adornos típico de mercearias avisa que apesar do improsivo, há oficinas de break dance, teatro-físico, dança contemporânea, karatê, percussão e inglês. No site do Núcleo nada é divulgado ainda, devido à necessidade de ampliar a estrutura das oficinas artísticas em geral.

Texto e fotos por: Ludmila Monteiro

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