22 de jun de 2010

"O lixo que vira luxo"

Conheça o artista piauiense Zé Rodrigues. Seu trabalho une sucata, música e artes plásticas. 

O dom de transformar lixo em arte. A todos que passaram pela Praça Pedro II na última semana, a opinião é a mesma. Durante o 27° Salão Internacional de Humor do Piauí, foram expostas inúmeras esculturas do artista piauiense Zé Rodrigues, todas trabalhadas com sucata e que atraiam olhares de muitos, que apreciaram a peculiaridade desse artista que consegue em suas obras – mostrar a importância da música em sua vida - e aos amantes dessa arte tão presente no dia-a-dia de um ser humano.


“Meu Deus, eu vim aqui só ver esse trabalho. Uns amigos meus chegaram no trabalho dizendo que era a coisa mais linda do mundo e vim aqui comprovar. Eu realmente não tinha visto nada tão bonito e tão criativo”, afirma Rita Eloísa, que aproveitou para se tornar fã de Zé Rodrigues.

Há mais de nove anos, o artista piauiense Zé Rodrigues trabalha com ferro reciclado para fazer suas belas obras de arte. Utilizando-se de materiais como catracas, rolamentos, correntes e várias outras peças de sucatas, principalmente de bicicletas e motos, ele consegue transformar algo que iria para o lixo em um artefato único.


“A vontade que tenho é de levar todos pra casa. O acabamento é magnífico e só de olhar vemos que deve ter dado um trabalho danado. Essa exposição no meio da praça serviu para atrair ainda mais todo mundo”, diz o funcionário público José Carlos.

Também músico da orquestra sinfônica 16 de agosto, Zé Rodrigues conta que se apaixonou por essa arte, quando viu uma pequena peça na frente da Central de Artesanato Mestre Dezinho há dez anos. “Quando eu vi aquele objeto de ferro foi paixão a primeira vista. Logo percebi que podia criar outros objetivos com a sucata. Fui experimentando, sozinho mesmo, nunca aprendi nada com ninguém. Eu ia errando, acertando, até que a escultura saia exatamente como eu tinha imaginado na minha cabeça”, filosofa o autor das belíssimas obras.



Suas peças que variam desde R$ 50 até R$ 10.000, são muitas vezes transformadas em personagens do nosso folclore, músicos, animais, esportistas e até na imagem do cantor Michael Jackson. “Foi uma das peças mais trabalhosas que eu já fiz, demorou mais de dois meses pra ficar pronta, sempre tinha um detalhe aqui ou outro acolá que eu voltava para aperfeiçoar”, detalha Rodrigues. 

Quando indagado se faria cópias de um projeto anterior, ele deixa claro que não é adepto dessa empreitada. “Eu acho que se eu fosse começar a fazer cópias do meu trabalho, estaria transformando minha arte em comércio e eu não quero isso. Cada trabalho meu é único e tem que ser original. O meu objetivo é fazer as pessoas entenderem que tudo pode ser aproveitado. O que é considerado lixo para uns, pode ser luxo para outros”, engradece.

Texto: Patrício Lima
Fotos: Maurício Pokemon

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